O Fórum Urbano Mundial, promovido pela ONU-Habitat, realizou-se neste ano em Baku, capital do Azerbaijão. Teve como tema central cidades sustentáveis, resilientes e inclusivas.
O país, rico em petróleo, vive um período de independência de pouco mais de trinta anos. Pertenceu ao Império Russo, teve breve autonomia em 1918, para logo ser anexado ao Império Soviético. Seu povo, de raízes persas e turcas, é majoritariamente islâmico, mas o país é laico. O Azerbaijão busca manter-se neutro em uma região conturbada.
Baku debruça-se sobre o mar Cáspio e tem 2,5 milhões de habitantes. É uma cidade bonita, bem estruturada. Suas grandes avenidas, de trânsito livre, e a dificuldade para o pedestre atravessá-las denotam privilégio ao automóvel. Mas suas calçadas, de boa qualidade, fazem um contraponto significativo.
A cidade tem investido maciçamente em sua modernização. A opção pela arquitetura autoral de grandes edifícios é a imagem ambiental que, por certo, deseja imprimir. As Flame Towers (que simulam as chamas das usinas de petróleo) tornaram-se uma marca de Baku, que também conta com outros importantes edifícios, como o monumental Centro Cultural Heydar, projeto da arquiteta Zaha Hadid.
No entanto, um dos principais lugares turísticos é a Cidade Velha, medieval, exemplarmente restaurada, contida entre muralhas milenares e designada pela Unesco como Patrimônio Mundial.
É facilmente reconhecível que Baku é uma cidade de grande diversidade morfológica: tecido medieval; tecido moderno com conjuntos residenciais pré-fabricados de assinatura soviética; bairros centrais em trama regular com edificações de quatro andares em continuum construído, tipo Paris; inúmeros condomínios de moradias unifamiliares muradas, de classe média alta; orla marítima com lindos parques, e parques internos muito bonitos. Destaquem-se as áreas antes destinadas a unidades petrolíferas (a chamada Cidade Negra), que buscam reocupar-se com investimentos imobiliários de alto padrão (Cidade Branca).
Mas onde estão os bairros populares? Existem?
Existem, e são muitos, mas não são evidentes.
Visitamos um bairro periférico (a uns 10 km), de classe pobre e média baixa, casas talvez autoconstruídas e traçado orgânico, ruas estreitas, sem separação entre pedestre e veículo, imagem ambiental de uma favela carioca consolidada, e topografia plana. Por certo, um bairro das últimas décadas. Pelo Google Earth podem-se identificar muitos outros com morfologia similar.
Mas há uma outra morfologia, de traçado em trama regular e densamente ocupada também por construções baixas, contínuas, próxima ao Centro. É possível distinguir vários bairros nesse padrão, provavelmente do século XIX e início do XX.
Mas a visita surpreendeu.
(Continuo no próximo post)